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A FARSA DAS TÂMARAS!

Eu me senti enganada. Mas, quando viu que fiquei revoltada, meu pai me disse que eu NÃO fui enganada.

Estão lembrados das tâmaras super caras do mercadão? Então... R$ 69 o quilo, e em algumas bancas até R$ 89 o quilo. E estão lembrados que fiquei contente pelo desconto que ganhei, R$ 60 o quilo? E que comprei logo mais de um quilo, totalmente por impulso gastronômico-consumista, e fiquei mega feliz com meu auto-presente?

Lembrados?

Dêem uma olhada na imagem abaixo. É um presente que meu pai me deu após saber das tâmaras do mercadão.

Olharam bem os detalhes da etiqueta? R$ 37,99 o quilo! Enormes, deliciosas, fresquíssimas. Exatamente as mesmas. Meu pai ficou olhando prá minha cara e esperando minha reação; senti-me ultrajada, enganada, consumidoramente ofendida! Que ultraje! Que afronta!

Mas... Meu pai, muito legal, me disse “Olha, você não foi enganada. O vendedor não apontou uma arma prá você e nem te obrigou a comprar nada. O produto estava lá! Você comprou porque quis! Pode ser caro, pode ser um assalto, mas você não foi enganada. Isso, não”. E o pior é que ele tem razão!

Por isso, muito envergonhadamente venho aqui contar prá vocês sobre as tâmaras – ainda caras – porém mais baratas, e sobre como comprar as coisas por impulso pode ser ruim. Se eu tivesse pesquisado mais ou me contido naquele dia lá no mercadão eu não teria desperdiçado dinheiro, e nem teria sentido essa sensação horrível de ter sido enrolada. Isso serve prá tudo na nossa vida, não apenas na cozinha. Cautela e prudência não fazem mal a ninguém... hahahahaha

PEIXE ASSADO!

Continuando meu passeio pelo Mercadão, decidi comprar um peixe para assar. Lá os pescados são ultra frescos, e as peixarias vendem toda espécie de peixes e frutos do mar com uma variedade e qualidade impressionante. Eu escolhi uma anchova de mais ou menos 750 gramas, que custou apenas R$ 9,00. Você escolhe o que quer e, no caso do peixe, ele já vem limpo (sem a barrigada e sem escamas), lavado e muito bem embalado para facilitar o transporte:

Comprei alguns condimentos numa banca de lá, porque temperos são essenciais numa cozinha. Como vocês podem ver na foto abaixo, comprei açafrão, pimenta síria, limão com ervas, colorífico, louro moído, cravo e canela em pó e casca de laranja desidratada.

Na foto abaixo, vocês podem ver os temperos que usei no peixe. Dentro do copinho, um mix com alguns dos temperos acima (açafrão, limão com ervas, louro moído e casca de laranja). Acrescentei também salsinha, alecrim, sálvia, tomilho, manjericão, coentro, e pimenta, tudo orgânico, tudo da minha própria horta (eu planto e colho!).

Modo de fazer: forrei uma assadeira com papel alumínio, papel manteiga, e um fio de azeite por cima, para o peixe não grudar. Espalhei bem todos os condimentos por dentro e por fora do peixe. Piquei a salsinha, uma cebola e um tomate, e coloquei dentro do peixe. Cortei algumas batatinhas ao meio, e coloquei ao lado do peixe. Mais um fio de azeite por cima. Fechei o papel alumínio, e coloquei no forno médio pré-aquecido por uma hora. Após uma hora, abri o papel alumínio e deixei mais 30 minutos assando. Mais fácil, impossível.

Depois de 1 hora e meia assando, o resultado foi esse:

Quase nada de gordura, super saudável, e o cheiro bom ia longe! Todo o monte de temperos que coloquei deram um perfume ótimo ao peixe, que eu e minha mãe comemos com arroz e salada de abóbora. Delicioso!

Passeando pelo Mercadão...

O Mercado da Cantareira – também chamado de Mercado Municipal Paulistano, ou simplesmente Mercadão – é assunto inesgotável para amantes da gastronomia. É redundante dizer que aquele lugar é maravilhoso, e podem ter certeza de que eu e o Gabriel ainda falaremos muitas e muitas vezes sobre esse templo sagrado do bem-comer.

Ontem fui passear com minha mami querida na Rua 25 de Março, e demos uma esticada no Mercadão, ali pertinho, só prá “dar uma olhadinha”. Claro que essa olhadinha rendeu boas compras, e assunto para bons posts aqui no blog. E como hoje é domingo – meu único dia tranqüilo numa semana sempre agitada – o post tem que ser caprichado. Já vou deixar prontos dois textos, um sobre condimentos e outro sobre um peixe incrível que assei, tudo comprado lá, para postar durante a semana. Então, hoje vou falar sobre TÂMARAS! E preparem-se, porque o texto de hoje saiu grande!

Um dia desses comprei um potinho de TÂMARAS MEDJOUL num supermercado. Adoro tâmaras, e minha nutricionista incorporou definitivamente as frutas secas em minha dieta (sim, leitores, eu faço dieta! Dá prá acreditar?). Mas ao abrir o potinho, me surpreendi ao ver o tamanho da fruta – 3 ou 4 vezes maior que o normal – e com a cremosidade e doçura da polpa. Foi amor fulminante à primeira mordida. Me apaixonei perdidamente.

A Kátia, minha colega de trabalho e leitora assídua do blog, me levou o suplemento “Paladar” do Estadão dessa semana. Entre outros ótimos assuntos, lá estavam elas: tâmaras medjoul e sua história (link para o artigo na íntegra: http://www.estadao.com.br/suplementos/paladar/not_sup4519,0.shtm ). Tomo a liberdade de reproduzir aqui, de tão interessante que achei:

“No norte do Mar Morto e no Vale do Jordão, disputado território que separa Israel e Jordânia, ela reina há quatro décadas. Grande, com a polpa cremosa, muito doce, a tâmara de medjoul é uma atração especial nos oásis que saltam aos olhos numa paisagem pouco habitada, dominada pelos tons pastel do deserto e o azul do céu, sob calor intenso.

Embora tâmaras sejam cultivadas há milênios, a de medjoul - que em árabe significa "desconhecida" - é relativamente nova ali. Ela tem origem marroquina e nos anos 1920 esteve ameaçada por uma praga. Foi levada para os Estados Unidos, de onde saíram as mudas levadas para Israel nos anos 1970, no início da colonização da região desértica. Em poucas décadas Israel se tornou o maior produtor de tâmaras de medjoul - pelo menos 33% das frutas dessa variedade comercializadas no mundo são produzidas ali, no deserto israelense.

A tâmara de medjoul é inconfundível. Ela é três vezes maior que as tradicionais e tão doce que é usada para preparar o silan, mel de tâmaras, o adoçante natural nacional. Sua tonalidade pode variar do marrom ao roxo-escuro. A pele é lisa e macia, com delicado drapeado, e a polpa é extremamente cremosa e cheia de sabor.

Na combinação de fatores que garantem seu sucesso estão o clima seco e alta tecnologia utilizada no cultivo. Devido à elevada temperatura, a fruta não precisa ser seca antes da comercialização. O calor seca os frutos naturalmente. Só na região norte do Vale do Jordão, mais úmida, as tâmaras passam por secagem.

Com tantos atributos, não é de se estranhar que tenha sido apelidada de rainha das tâmaras. Ela ocupa lugar de destaque nas feiras e prateleiras de supermercados e caiu no gosto de chefs de Israel. Pelos bares, restaurantes e cozinhas domésticas, surge das mais variadas maneiras. Recheada com queijos, amêndoas ou pistache, vira petisco. Como prato principal, combina com frango e saladas, além de fazer as vezes de sobremesa. Nesta época, entre junho e agosto, quem visitar a região vai encontrar as tamareiras carregadas, pois a colheita começa em agosto e vai até outubro.

O cultivo exige cuidadoso trabalho manual. As plantas, que têm entre 15 e 20 metros de altura, são polinizadas manualmente. Para garantir tâmaras grandes e cremosas os produtores fazem podas, reduzindo a produtividade da planta. Um trator com cabine elevatória é usado para cortar parte das folhas e frutos. As tamareiras são identificadas uma a uma. Dois meses antes da colheita, as folhas são envolvidas por uma rede plástica, que as protege de pássaros e impede que as tâmaras caiam antes do tempo. A colheita vai de agosto a outubro, mas as tâmaras são encontradas o ano inteiro.”

Agora, mostro a vocês minha melhor aquisição no passeio de ontem pelo mercadão:

Definitivamente, é meu presente de aniversário. Enquanto tâmaras comuns custam em média R$ 20 o quilo, as Medjoul custam entre R$ 69 e 90 o quilo. Fiquei tão hipnotizada ao ver um barril cheio delas no mercadão que não conseguia pensar direito – e mandei embalar um quilo delas. O funcionário da banca foi muito simpático e me fez um desconto: 1,25 quilo por R$ 70. Caro, eu sei. Passei no cartão de crédito, e mês que vem eu pago. Vale cada centavo.

Só prá comparar, vejam uma tâmara medjoul à esquerda e uma comum à direita. Ah, e eu contei: na embalagem que comprei, vieram 64 tâmaras – uma média de 20 gramas cada uma. Enorme, para uma fruta seca.

Meu pai teve um grande amigo chamado Assad, que era libanês. Ele comentava que seus antepassados beduínos alimentavam-se, no deserto, de água levada em cantis primitivos e tâmaras, que contêm alto teor energético e são consideradas alimento sagrado pelos povos árabes. De fato, pesquisando no Google achei esse comentário: “Se diz que um beduíno resiste três dias de marcha com uma tâmara: “No primeiro come a pele, no segundo dia o fruto e no terceiro o caroço” O que para nos pode ser uma sobremesa ou uma iguaria, no deserto faz possível a vida. Por isso as tamareiras são objeto de veneração ali onde se cultivam. Simbolizam a união entre céu e terra, sua presença junto às casas é sinal de hospitalidade. É a palmeira que inspirou as colunas dos templos, o pilar do céu, segundo afirma a palavra grega phoenix. Em muitas mesquitas, como em Córdoba, as colunas lembram a forma das palmeiras. E nas paisagens mais áridas, o doce do seu fruto evoca o paraíso.” Vale visitar o link para saber mais sobre as propriedades e benefícios das tâmaras: http://www.tamaras.com.br/

Sei que é muito cara e que foi uma loucura gastronômica. Raramente cometo estes excessos, mas não pude resistir. Posso dizer que saí do mercadão muito feliz com minha compra – talvez mais feliz do que se tivesse comprado um sapato ou uma roupa. Além do mais, comer é um prazer indescritível, e se eu comer uma tâmara dessas por dia, terei dois meses de uma sobremesa deliciosa, perfeita, e sagrada! Impossível resistir!

(P.S.: MUITO OBRIGADA aos nossos amigos que visitam o blog, aos amigos que deixam seus comentários, aos amigos que divulgam nossas publicações em seus espaços, aos amigos que contribuem com idéias e dicas... Tem sido uma alegria muito grande dividir esse espaço com o Gabriel, e ver que nossos textos, vídeos e idéias têm repercutido tão bem! Mais uma vez, MUITO OBRIGADA! Abraço carinhoso a todos vocês!)